Resumo
Em que pese a vasta literatura existente sobre a música que circula comercialmente no Brasil, relativamente poucos são os trabalhos acadêmicos produzidos a partir de bases quantitativas, lançando alguma luz sobre indicadores de tendências e circuitos de consumo no país (por exemplo, Araújo, 1987; Morelli, 2009; Dias, 2008; Vicente, 2002; FGV, 2008; Ignácio e Simas, 2008; HERSCHMANN, 2010). Mesmo esses, em sua quase totalidade (como exceção, FGV, 2008), trabalham sobre bases de dados pré-existentes à pesquisa propriamente dita dos respectivos autores, o que limita as possíveis interpretações a critérios alheios de produção de indicadores, invariavelmente definidos por agentes de mercado. No ano de 2006, o grupo Musicultura realizou um trabalho de campo nas favelas Nova Holanda e Baixa do Sapateiro (bairro Maré, Rio de Janeiro), consistindo na aplicação de um questionário concebido pelos próprios pesquisadores, com foco sobre os gostos, práticas e consumo de produtos musicais dos moradores locais. Os 929 formulários preenchidos se encontram em processo adiantado de análise, tendo sido concluídas as etapas de codificação dos dados coletados no trabalho de campo e de transferência dos mesmos, já codificados, para o software de estatística SPSS. O presente trabalho pretende abordar os modos de circulação, de acesso e consumo de música na Maré, produzindo dados originais através
de pesquisa quantitativa concebida e desenvolvida pelo grupo Musicultura, além de enriquecida pela experiência prática dos próprios pesquisadores, em sua maioria, moradores das áreas pesquisadas.